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Avaliação

O dinheirês é o segundo idioma mais falado entre os norte-americanos. E em situações como esta, parece que por nenhum outro motivo além deste é que dão andamento às gravações de um filme desse nível.  E este é um dos motivos pelo qual algumas pessoas abominam os americanos, o fato de sempre se acharem no poder de fazer tudo e achar que sempre fazem melhor. Eu não vou com a cara do Spike Lee, acho ele um baita escroto e nunca tive o menor interesse em nenhum de seus filmes (a não ser um documentário sobre Michael Jackson) ou produções. E para ajudar nessa repelência ele vai e me faz uma refilmagem de um dos filmes mais importantes do cinema oriental.

Joe Douchett (Josh Brolin) é um executivo pau no cu, irresponsável que está pouco se ferrando para tudo e todos. Em uma noite chuvosa, Joe é apagado e acorda em uma cela na qual permanece por 20 anos até ser liberado. O filme gira em torno da obsessão de Joe em descobrir quem fez tudo isso com ele e porquê. Na sua trajetória ele conhece uma assistente social chamada Marie (A mais gostosinha e talentosa das irmãs Olsen, Elizabeth) com a qual acaba se relacionando. E também Adrian Pryce (Sharlto Copley; Distrito 9) que o levará às respostas de suas perguntas.


Oldboy é um filme sul coreano de 2003, dirigido por Chan-wook Park (Lady Vingança ; Mr. Vingança) que foi baseado no mangá também com mesmo título (escrito por Garon Tsuchiya e ilustrada por Nobuaki Minegishi) lançada inicialmente em 1996. Uma das produções asiáticas mais surpreendentes que o cinema em geral já teve. E eu aprendi muito sobre eles por causa de um amigo que é fã. Acho que diferente de qualquer país, eles são muito superiores quando se trata da sétima arte (só isso, porquê os cardápios exóticos deles me assustam). O remake de Spike Lee é uma das produções mais mixurucas e superficiais que eu já vi. Uma das refilmagens mais descartáveis da categoria na história do cinema. E que o uso do elenco foi até inteligente, pois serviu pra não permitir que o filme afundasse por completo no Limbo e chamasse a atenção antes de provocar o primeiro sentimento de rejeição ao filme.

O filme não tem absolutamente nenhum atrativo, comparado à versão anterior ou não. E tendo visto a versão de 2003, acaba enfatizando essa falta de qualidade narrativa cinematográfica.O roteiro é resumido, furado e a produção cortou 40 minutos do filme. O que o tornou ainda mais detestável é a forçação em tentar torná-lo ainda mais impactante do que o asiático, com uma história absurda que acabou se tornando ridículo vindo do cineasta que vem, Spike Lee, o homem que é fissurado em ironizar, diminuir e tornar patético o mundo do "homem branco", como ele mesmo diz.  E depois que você assiste, acaba te incomodando só o fato de não poder fazer nada para impedir que outras pessoas o vejam.

Ainda por cima, a falta de qualidade das cenas que foram épicas na versão de 2003, nesta versão de 2013 quase afundaram a antiga junto. A cena do polvo, a cena da língua, mostradas vagamente só pra fazer uma media. Se você já assistiu à versão de Chan e não quer se aborrecer, não assista ao filme de Spike Lee. 

Dirigido por Spike Lee.
Elenco: Josh Brolin, Elizabeth Olsen, Samuel L. Jackson, Sharlto Copley
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Contracted se baseia nos longos e torturantes dias de uma jovem homossexual chamada Samantha, interpretada pela gatíssima e não muito conhecida Najarra Townsend, que, ao ter se envolvido em um sexo casual com um necrófilo esquisitão, conhecido pela polícia por BJ na festa da coleguinha lésbica, começa a lidar com reações esquisitas provocadas em seu corpo, vindo a suspeitar de uma provável doença sexualmente transmissível. Adorei a ideia de que infecção zumbi venha a ser tratada como DST. Ai, muita gente vai ficar sem transar um bom tempo, risos. Calma que a gente chega nos detalhes.

Eu particularmente acho que este filme devia se chamar "A Trepada Fatal", que foi praticamente isso o que aconteceu. O que tanto destacou o filme? O agonizante procedimento de decomposição e sofrimento da protagonista Samantha, que após sua primeira relação sexual com um homem e que por sorte era necrófilo, tem uma suposta hemorragia (apodrecimento) interna com direito à larvas, suas vistas que vão se dilacerando no decorrer do filme, suas unhas e dentes apodrecem e caem. Somando à isto, temos os problemas paralelos de Sam, como a paquerinha Nikki, que pouco faz questão dela e da coleguinha lésbica (linda Alice, interpretada por Alice Mcdonald).

O filme acaba por ser interessante pelo mesmo motivo que muitas pessoas o detestaram, a carência de explicações. A jovem Samantha acaba por ter um suposto falecimento ou desmaio no final do filme, vindo a retornar agressiva. Tipo um zumbi, mas a gente não sabe realmente o que aconteceu e o que ela teve.



Para alguns de nós, é só mais um filme de zumbi meio diferenciado pela forma de infecção e com muitas gafes. Para outros, premiado de diversos festivais, dentre eles New York City Horror Film Festival, Chicago International Film Festival, Sitges Film Festival, Cannes Festival.

“Se Tubarão foi o filme que fez as pessoas nunca mais quererem entrar na água, Contracted as fará pensar duas vezes antes de fazer sexo”. - James Shotwell,

Levando em consideração a declaração do crítico James, se quiser segurar sua filha virgem por mais um tempo, coloca esse filme para ela assistir. Será uma reação espontânea, eu garanto.

Mesmo premiado em festivais, recebendo declarações exclusivas de críticos famosos, o bom no "nosso cinema" (o cinema particular de cada um) é buscar aquilo que realmente nos interesse. E daí que não tem tantas explicações e o ginecologista ao qual a Sam busca para ajudá-la a descobrir o que merda está acontecendo com o corpo dela, é mais tapado que os médicos dos hospitais públicos aqui no nosso país? E daí se a gente não sabe o que realmente aconteceu à ela? O filme acaba onde normalmente os de zumbi começam. E são os buracos em filmes de terror que os tornam interessantes e agonizantes. Procure qualquer filme suspense ou horror que explique demais as histórias, veja se continuam interessantes como estavam antes de você não saber o que raios estava acontecendo. Assistam Contracted, cinéfilos, e passem a ter uma vida sexual mais cuidadosa.

Acho que o trailer desse filme devia ser passado em farmácias com sinopse e com camisinhas à venda logo abaixo, seria realmente incrível.



Contracted
Direção: Eric England.
Elenco: Katie Stegeman, Charley Koontz, Caroline Williams, Dave Holmes, Matt Mercer
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Carrie é uma adolescente criada sob rígidos costumes religiosos por sua mãe obcecada e doentia, Margaret. Por entre os conflitos que tem com os colegas de escola por sofrer bullying, descobre que pode fazer coisas não muito comuns entre os jovens da sua idade. E após abusarem das brincadeiras, bom, talvez esta seja uma boa hora de fazê-los parar de caçoar dela.

Convenhamos que, o que vem estragando muito as coisas hoje em dia é a modernidade. E isso acaba se encaixando muito em filmes, — principalmente refilmagens, que acabam destacando as gafes. — É o que acontece com a terceira refilmagem de Carrie - A Estranha. Começando que, a Carrie era para ser uma menina totalmente escrota, mas aí eles colocam a Chloe Moretz, que é tão bonita, que mesmo esquisita e até com um membro do corpo a menos, seria difícil dispensar.

Eu gostei do fato de explorarem mais a personagem, sem deixá-la ser uma mera adolescente sonsa e esquisita. Carrie questiona sua mãe, do porquê não tê-la informado sobre a tal da menarca ou afrontá-la ao tentar impedir que vá ao baile de formatura com um rapaz. "Eu vou e acabou. E não tenta me impedir não, senão te lanço da janela".



A tal da telecinesia: O que pode ser assustador na versão de 1976 dirigida por Brian de Palma é que raios muita gente não sabia o que Carrie tinha/era na verdade, até certo ponto do filme. Nesta versão de 2013, Carrie além de ser uma garota meio petulante — terá Chloe trazido películas da arrogância de Hit Girl para Carrie? Brincadeira... — ela parece bem ciente do que sabe fazer.

Diferenciando o Gran Finale: Na versão citada de 1976, na famosa cena da formatura onde os colegas de escola de Carrie jogam sangue de porco sobre sua cabeça após ser nomeada a rainha do baile, Carrie por tamanha incredulidade e raiva parece ser tomada, sem nenhum controle próprio, por aquilo que sabe fazer, seu grande dom, não poupando qualquer um que esteja na sua frente, e tão pouco se importando com o seu par da formatura estatelado e com o cérebro metaforicamente espalhado pelo chão.
Na versão atual, após passar por tal humilhação, parece estar bem ciente da raiva e com tudo sob controle, escolhendo um por um a quem irá eliminar, tendo desta vez escapado até a professorinha legal que ajuda e aconselha o filme inteiro. Carrie domina seu poder, e o usa como bem achar melhor, até voar como o Superman ela voa, no meio do salão.

No que Kimberly Peirce — responsável pelo memorável "Meninos Não Choram" — me chateou, comparando sua visão cinematográfica com a de Brian de Palma, a mulher tem sempre seu lado materno bastante intenso, — algumas delas — o que ela demonstrou em Margaret White, interpretada pela maravilhosíssima Juliane Moore, que por mais doentia que ela pareça, ela tinha uma afeição superficial pela Carrie, diferente da Margaret do Brian de Palma, totalmente obcecada pela religião que seguia, à ponto de segurar a filha com vida até quando Deus achar que deve. Na verdade, Juliane Moore foi um espetáculo neste filme, eu nunca vi uma personagem demonstrar um envelhecimento espontâneo devido ao sofrimento criado estupidamente por ela mesma. O fato dela própria se torturar fisicamente, quando achava que estava desagradando Deus soou meio "O Albergue" até.



No que falhou este remake, que mesmo tão superficial acabou me surpreendendo, talvez pelo fato de eu não ter esperado absolutamente nada dele. Uma Carrie muito bonita e supermoderna pra uma personagem caçoadinha e problemática. Muitas explicações. O forte dos filmes de terror/suspense e qualquer película que siga este gênero é o mistério, é a curiosidade, é não compreendermos o suficiente o que raios está acontecendo ali. Por mais que conhecêssemos a história de cabo à rabo. Quando é bom, sempre é gostoso e inovador assistir. E Carrie não foi.

Carrie - A Estranha (Carrie)
Direção: Kimberly Peirce
Elenco: Chloë Grace Moretz, Julianne Moore, Alex Russell, Ansel Elgort, Karissa Strain, Gabriella Wilde.
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Esse é o tipo de filme que é capaz de provocar toda e qualquer reação negativa até no espectador mais preparado. Não que isso seja ruim, de maneira nenhuma. É um trabalho de se respeitar.

Três gerações (avô, pai e filho) arrastando hábitos, obsessões e costumes bizarros e doentios pela Hungria e Europa Central diante de seus olhos. Três histórias contadas com tamanha delicadeza e doçura embora sendo tão grotescas, que acaba sendo uma coisa feia bonita de se ver.

O avô é um soldado do exército comunista da Primeira Guerra Mundial que passa o dia se masturbando compulsivamente. E o mais “deprimente”, o que mais me chamou a atenção é que ele anseia tanto pelo gozo, que é capaz de imaginar e fazer todo tipo de coisa para chegar lá o mais rápido possível, para talvez descobrir o que ele deseja e o que lhe satisfaz. E isso inclui imaginar e fazer as coisas mais bizarras que a gente pode imaginar. Como por exemplo: passar uma espécie de lubrificante num buraco de tijolo na parede e enfiar o membro enquanto vê duas jovens do vilarejo brincarem na neve e fazer sexo sobre uma leitoa abatida com a esposa obesa e peluda do comandante que o mata logo em seguida ao pegá-lo cometendo tal ato.


A segunda história e parte do filme fala sobre o filho – que nasceu com um rabo de porco, mas é operado – do soldado assassinado que desde criança apresenta um certo talento para competições de comilança. Ele se apaixona por uma mulher que não só partilha do mesmo peso na balança, como também da mesma modalidade de competições em que participa. Contando assim, parece um simples romance entre duas pessoas acima do peso, mas isso vai um pouco além do imaginado. Conflitos e detalhes repugnantes são mostrados em maior quantidade quanto na primeira geração desta linhagem sanguínea exótica.
Como havia falado na primeira parte, todo o filme traz esta compulsão por prazer, não só no sexo mas em tudo aquilo que dá prazer aos personagens, seja o que for, seja como for, por pior que sejam. E isso é mostrado tão profundamente, como se estivesse grudando nossos olhos em um microscópio, mas entre nosso cérebro e a realidade e radicalidade. Que é como nos é mostrado tudo. Naturalmente, mas da forma mais radical e horrenda possível.

A terceira parte do filme fala sobre o fruto do casal de gordinhos. Um taxidermista magricela que vive a vida empalhando animais – um dos prazeres estranhos do qual eu falei e que o personagem faz questão de demonstrar – e cuidando de seu pai, o campeão das competições de comida da segunda parte do filme, já velho e inválido de tão gordo. O cotidiano do jovem raquítico se baseia em trocar as bacias em que seu pai faz as necessidades, alimentá-lo com doces, alimentar os gatos na jaula e transformar animais em objetos de exposição. Embora pareça uma rotina entediante. Ele gosta do que faz e tem um plano incrível para si mesmo.


Cada geração é trabalhada em mostrar a obscuridade humana de diversas formas, embora como costumes tão doentios. A gente chega a se esquecer que são seres humanos, como se nossas mentes fossem puxadas para além dessa humanidade e focassem em seus hábitos e aparência ridículas, grotescas e discriminadas pela sociedade. Que embora a gente admita isso no filme, não seria diferente com a realidade mostrada radicalmente. Esse é o objetivo do filme, isso foi o que me deixou fascinada no final.

Embora eu me atraia por esses tipos de filme e ache importante para o cinéfilo ter essas experiências na lista. Este não é um filme que levaria na casa de um colega falando "Faz a pipoca lá e chama suas tias". Reconheço o absurdo trabalho feito pelo diretor e a adaptação bem feita dos contos de Lajos Parti Nagy. Não se esquecendo da belíssima trilha sonora. Embora ele possua essa pureza repugnante que tanto promete e seja tão genial, não é um filme que eu veria pela segunda vez., mas ainda assim recomendo a todo cinéfilo que ainda não teve essa experiência.

Taxidermia (Taxidermia)
Direção: György Pálfi 
Elenco: Marc Bischoff, Erwin Leder, Csaba Czene, Piroska Molnár, Gergely Trócsányi, Adél Stanczel
Nessa parte eu admito que sou mais ignorante com filmes. Não gosto de estar assistindo nada que faça com que eu me sinta pressionada a dar valor à minha vida. No caso, esses filmes cujo o tema sejam "doenças terminais" ou deficientes. E a forma como fazem com que o sofrimento de uma forma forçada toque seu coração.

Acho que é por isso que eu estou escrevendo sobre esse filme. Ele não me deixou com nenhuma daquelas impressões, pelo contrário, me fez chorar feito uma criança. Não sei se pelo fato de não terem feito da menina com leucemia uma coitada ou se pelo fato de terem centrado mais no drama da irmã que só foi gerada para salvar a outra. Isso eu achei um tanto dramático, de uma forma positiva.

Cameron Diaz está maravilhosa nesse filme, gosto até dos filmes ruins que ela faz, de tanto que gosto dela (não que esse filme seja ruim). Abigail Breslin que é a pequena e adorável Miss Sunshine também me faz lembrar que a atual geração de jovens atores está a salvo e garantido por muitos anos.

Se você  não gosta de fazer o sensível na frente do papai e da mamãe então recomendo que assista sozinho com uma pipoca e alguns lenços. É um filme que te faz ver um lado diferente da vida sem que você se sinta obrigado a fazer isso.

Dirigido por Nick Cassavetes
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A primeira coisa que pensei quando terminei de ver esse filme é: "Precisam começar a passar esse filme nas escolas". Parece tolice mas a adolescência é a fase exata em que o ser humano começa a formar suas ideias e muitos de nós somos facilmente vulnerável á influência alheia seja ela boa ou ruim.

Edward  Norton interpreta Derek, um skinhead e líder de uma gangue que seguem os mesmos ideais neo-nazistas. Edward Furlong (O jovem e inesquecível John Connor de "O Exterminador do Futuro 2") interpreta Danny, o irmão caçula de Derek, um grande admirador do irmão e que pretende seguir seus passos. Após cometer um crime, Derek vai parar na prisão e da pior forma possível finalmente entende que seu método de vida era errado.



Achei incrível como Tony Kaye nos mostrou uma visão diferente da nossa própria realidade. Existem diversos filmes abordando o mesmo tema. Mas que nenhum se destaco como esse em qualidade.

O final é o mais emocionante. Você pode até prever o que vai acontecer. E e acontece, mas de uma forma totalmente diferente. Derek e Danny são praticamente os lados opostos de um ser humano. O filme mostra o quão estúpido pode ser o fanatismo, o racismo e o ódio. Talvez seja um dos melhores filmes que eu tenha visto esse ano. E olha, vi grandes filmes esse ano. Tony Kaye trata de um tema que muitos outros diretores já tratou em seus filmes, mas pode ter certeza que é este que vai ficar marcado na sua filmografia.

Dirigido por Tony Kaye.
Elenco: Edward Norton, Edward Furlong, Alie Moss.

Mamãe passaria o resto do dia dizendo o quanto é triste a vida de pessoas viciadas em drogas. A única coisa que eu consegui dizer foi nada, porque ainda não consegui absorver o filme pra poder dizer alguma coisa. A parte mais delicada do filme é o tema, porque Aronofsky não se deu o trabalho de ser delicado ao retratá-lo, pelo contrário, foi feito da maneira mais cruel e agonizante possível, mas ficou excelente. Pra quem ainda não conhece esse Jared Leto, deveria conferir esse filme.

O filme mostra muito além do vício e do viciado e a forma como os personagens vão se distanciando de seus sonhos a cada vez que se aproximam mais das drogas e o fim que acabam levando. Tudo isso mostrado da forma mais repulsiva e deprimente possível. Você se envolve com os personagens no decorrer do filme. As atuações foram excelentes. Mas eu preciso dar destaque a Ellen Burstyn (O Exorcista), que foi a personagem que mais me conturbou no decorrer do filme. Deu pra sentir a agonia, o desespero, os anseios e expectativas de cada personagem, o que tornou tudo ainda mais nauseante, levando em consideração o final de cada um deles.

A fotografia é digníssima e a trilha sonora é tão neurótica quanto o próprio filme, que felizmente é um dos que dispensa maiores clichês hollywoodianos. O final é impactante como e tanto quanto todo o filme. É fascinante mas é quase impossível não ficar conturbado assistindo.

Dirigido por Darren Aronofsky.
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O bom para este filme, é que não se espere nada dele. Ele é justamente o oposto do que as pessoas que anseiam em assistir, esperam. O que de maneira nenhuma faz dele um filme ruim, pelo contrário. Brandon é a imagem literalmente nuca e crua do homem do mundo moderno. Mostrando como o sexo passou de envolvimento emocional e físico entre duas pessoas, para um "entorpecente", que até reage como tal.

Uma forma de sair da rotina, da vida entediante e de fugir dos problemas. Tamanho prazer faz com que momentaneamente o personagem se esquive da sua vida vazia. Isso é mostrado em algumas cenas, onde qualquer incomodo ou frustração era desculpa para que Brandon saísse de casa à procura de uma aventura sexual. O mais deprimente é a forma como se expressa o personagem. Seus atos impulsivos e desesperados para ter uma noite de sexo e depois a culpa, a vergonha e o arrependimento que tomam o personagem.  Neste filme, o sexo é visto mais como algo perturbador do que excitante, ainda que não deixe de ser excitante. Mas pelo drama e a forma como essa obsessão toma conta do personagem, é algo angustiante.


A relação entre Brandon e sua irmã Sissy também é notavelmente conturbada. A garota  carrega consigo os seus problemas e ainda acaba até trazendo-os para a vida de seu irmão, tornando-o ainda mais sobrecarregado. Ainda que o filme deixe no ar a curiosidade do expectador em saber o que formou os personagens principais e o que talvez os levaram a ser como são, McQueen acertou mais uma vez, tratando de um tema sério e deprimente com tamanha delicadeza. O drama de um nova iorquino de meia idade obcecado por sexo e pornografia e sua irmã notavelmente depressiva.

O filme pode até ser visto por algumas pessoas com um contexto meio exagerado, em drama, nudez e sexo. Mas toda a fotografia e trilha sonora foram tão bem encaixadas no contexto, junto às atuações e as ótimas escolhas para os personagens que são bastante expressivos o que torna mais fácil e interessante compreender os mesmos. Um ótimo drama, mas nada para tentar se ver com a família em um domingo à tarde.

Direção: Steve McQueen.
Elenco: Michael Fassbender, Carey Mulligan, Hannah Ware